Poems From The Portuguese

Another anniversary

Another anniversary

Another anniversary

Waking up is sad, immediately after you got into the car with me, the graveyard so near,

You shut the door and your smell is so close I almost feel it lightning up the hippocampus,

Waking up to another year, away from your hair curling in the steam of our excitement,

And today is a sunny day, it rains inside my memories, I’ve never been so sad,

Dreams are exchanged for years and my hands are increasingly useless and empty,

Poems pile up high, empty vessels trying to fill a growing emptiness,

Candles burning in search of a cure for dreariness, but there’s only smoke and dark stains

In the skull which can’t be bothered to keep what is worth keeping, because there’s nothing

worth it, except your lips while on mine, you so humid, so true

On my skin and I, who hardly ever kneel, believing the eternity of your eyes,

I being a nebula inside your universe, but the door shut, I woke up

and today isn’t even raining, and I don’t even rejoice, I only endure, carrying with me

all the memories that make my today sad, because the more there is life the less I feel it,

The heat without your body is a discomfort, the Sun a horizon hard to look at,

Humidity what the eyes are looking for, but words are all there is, and the years pile up in Your absence.

© Translated by Ana Hudson.

Outro aniversário

Outro Aniversário

 

É triste acordar, logo depois de entrares no carro comigo, o cemitério ali ao lado,

Fechas a porta e quando o teu cheiro tão próximo que quase o sinto iluminar o hipocampo

Acordar para mais um ano, longe do teu cabelo a frisar com o vapor da nossa excitação,

E hoje o dia é de Sol, chove-me nas recordações, mas nunca fui tão triste,

Trocam-se os sonhos por anos e as mãos cada vez mais inúteis e vazias,

Os poemas amontoam-se, vazios que tentam preencher um vazio que cresce,

São velas que ardem em busca de uma cura para o tédio, mas só fumo e manchas negras

No crânio que nem se digna a guardar o que vale a pena, porque sabe bem que não há nada

Que valha a pena, valeram os teus lábios enquanto nos meus, tão húmida tu, tão sincera

Na minha pele e eu que quase nem joelhos, acreditando na eternidade dos teus olhos,

Eu todo a ser nebulosa dentro do teu universo, mas a porta fechou-se, eu acordei

E hoje nem chove, nem festejo, duro apenas, trago comigo todas as recordações

Que me fazem o hoje triste, porque quanto mais vida, menos vida se sente,

O calor sem o teu corpo é um desconforto, o Sol um horizonte difícil de olhar,

A humidade o que os olhos buscam, mas só palavras, e os anos somam-se, na tua ausência.

in Saber Esperar Pelo Vazio, 2012.

© João Bosco da Silva

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