Poems From The Portuguese

Black Bile

BLACK BILE


I die here with you many years
shuddering in the fools’ wisdom

here lies a certain climate of morning and a live gallery
of absurdities so as to grasp the full vision of solemn
stuff

ask me for specs so you can see better, ask me for windows
so you can look at the sea

I’ll be right at the exact rain adequate to that
state and here straightly down poure

I call my mother to the body, I’ve got nothing
prepared, I’ve got a visual telegram and I call
loud and ready to prove this topic is just a means
of postage

it’ll be castled in sand its finality on my finger tips
rise to my mouth crowd climb up to the folly
where I might have stood, and there on the grass of a path survive

the harrying of light like a crossing
flashed animal

© Translated by Ana Hudson, 2020

BÍLIS NEGRA


aqui morro muitos anos convosco
estremecendo à sabedoria dos tolos

aqui certo clima de nojo e uma galeria viva
de absurdos para a visão integral da coisa
solene

peçam-se óculos para ver melhor, peçam-se janelas
para ver o mar

eu estarei certa à chuva própria desse estado
adequada e a direito despejando-me, aqui

chamo a minha mãe ao corpo, não tenho nada
preparado, tenho um telegrama visual e chamo
alto e chego para provar que este mote é só um meio
de porte

há-de encastelar em areia o finalismo rente aos dedos
subir-me à boca subir em bando à do louco onde
terei posto a minha, e aí na ervinha de um passeio restar

à perseguição da luz como um animal deslumbrado
que atravessou

2012, Groto Sato

Mariposa Azual
© Raquel Nobre Guerra

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