Poems From The Portuguese

CAFÉ CASTRO

CAFÉ CASTRO

with cigarettes giving on to high windows
with sombre bottles empty tunes
I meditate on schemes lacking financial
viability – how relaxing these dilettante
portuguese imaginings in the out of the way
city of Budapest

they only allow for the arrival at this isolated place
at Plan B: a text the author doesn’t
chisel away at inside the café

but I propose:
forget all this the cuban posters the curious
blonde waitress and proceed to the next poem
with no great regrets

and avoid lingering on a fresco of clouds
on the ceiling of a bedroom (which one?)
celebrating the end of no vintage at all
realising what a juvenile mistake it is to close a poem
with the word death
above all I won’t mention Walt Whitman to you
or David Beckham

but afterwards, I beg you
be late again suspend for a moment the reading
with one of those empty gestures: the scratching of a head
of a chin

wait for this author to make up ground
and let’s both set off downwards – is there another place? –
to the next poem

© Translated by Ana Hudson, 2011

CAFÉ CASTRO

com cigarros dando para altos janelões
com garrafas soturnas canções vazias
medito em esquemas falhos de viabilidade
financeira – são um descanso estas imaginações
diletantes e portuguesas na recuada
cidade de Budapeste

permitem chegar apenas a este lugar isolado
ao plano B: texto que o autor não
burila no interior do café

mas proponho-lhe:
esqueça tudo isto os cartazes cubanos a empregada
curiosa e loira e avance para o poema seguinte
sem grandes remorsos

evitará demorar-se num desenho de nuvens
no tecto de um quarto (qual?)
festejar o fim de nenhuma vindima
aperceber-se do erro juvenil que é fechar um poema
com a palavra morte
sobretudo não lhe falarei de Walt Whitman
ou David Beckham

mas depois, peço-lhe
atrase-se outra vez suspenda por um momento a leitura
num desses gestos vazios: coçar a cabeça
coçar o queixo

espere que este autor recupere de novo terreno
e partamos os dois para baixo – haverá outro sítio? –
para o poema seguinte

in Quando escreve descalça-se, 2008

No Comments :