Poems From The Portuguese

Nocturne

Nocturne

Art we already know is born
from the imperfection of the things
we bring home
with the street dust
when the afternoon is over
and we don’t have hot water
to wash our hair.
With weirs of prayer
we try to regulate
the course of sadness
we change chairs
and spend the night
saying if only
as if these words
were an anaesthetic.

© Translated by Ana Hudson, 2011

Nocturno

A arte já sabemos nasce
da imperfeição das coisas
que trazemos para casa
com o pó da rua
quando a tarde finda
e não temos água quente
para lavar a cabeça.
Tentamos regular
com açudes de orações
o curso da tristeza
mudamos de cadeira
e levamos a noite
a dizer oxalá
como se a palavra
praticasse anestesia.

in Ulisses já não mora aqui, 2002

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