Poems From The Portuguese

WIND CHIME

WIND CHIME

Tomorrow everything will be even
worse, I know: habit, inertia,
life without remedy – so little
to be salvaged.

Throughout the city, strangers
will climb another step into the dark
of night, and memory will perhaps
hold a remorse:

that sunny morning
on the veranda, the wind chime
made of small silvery fish in a rosary
of profane beads.

Do you still have it? Does it still sing
at dawn when the wind blows
from the sea?

It doesn’t matter. It was always too little
the lot we asked for

and the share we got.

© Translated by Ana Hudson, 2011

ESPANTA-ESPÍRITOS

Amanhã tudo será pior
ainda, eu sei: o hábito, a inércia,
o sem remédio da vida – tão pouco
haverá a salvar.

Por toda a cidade os desconhecidos
subirão outro degrau para o escuro
da noite, e a memória será talvez
um remorso:

aquela manhã de sol
na varanda, o espanta-espíritos
com peixes de alumínio num rosário
de contas profanas.

Ainda o tens? Ainda canta,
de madrugada, se o vento sopra
do mar?

Não importa. Foi sempre de menos
o muito que pedimos

e a parte que tivemos.

in Capitais da Solidão, 2006

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