Poems From The Portuguese

Woman Overboard

Woman Overboard

MAYDAY I break out: the hard war endures;
empty is the vessel from which I part –
it slacks in the deep, bored by the sway,
a leaking slit, a lack – not in the least
a cork pail with pores made to drift.
I specify: it’s terracotta, it cracks
and I am sparse in dense fluidity.
Too late, I know, help will come, if ever
so feebly I flash in obscurity
and the writing does not stay on water;
here I lie: hardly an erasure, less
than a seam the wave will slowly stitch
a slumbering quilt over where I sink.

© Translated by Margarida Vale de Gato

Mulher ao Mar

MAYDAY lanço, porque a guerra dura
e está vazio o vaso em que parti
e cede ao fundo onde a vaga fura,
suga a fissura, uma falta – não
um tarro de cortiça que vogasse;
especifico: é terracota e fractura,
e eu sou esparsa, e a liquidez maciça.
Tarde sei, será, se vier socorro:
se transluz pouco ao escuro este sinal,
e a água não prevê qualquer escritura
se jazo aqui: rasura apenas, branda
a costura, fará a onda em ponto
lento um manto sobre o afogamento.

in Mulher ao Mar, 2010

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